Projetos

Sistemática e Biogeografia de Orthoptera

Centros de Endemismo na Mata Atlântica Costeira
DIVERSIDADE BIOLÓGICA, SISTEMÁTICA E GEOGRAFIA DA DIFERENCIAÇÃO DE ORTÓPTEROS NAS CHAPADAS DA DIAGONAL DE FORMAÇÕES ABERTAS E ÁREAS DAS FLORESTAS AMAZÔNICA E ATLÂNTICA DO BRASIL (ENSIFERA & CAELIFER
Coordenador: Francisco Assis Ganeo de Mello

Na floresta atlântica costeira, latifoliada, perenifólia e úmida, reconhecem-se três importantes centros de endemismo: 1- "Pernambuco", abrangendo os estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe;  2- "Bahia - Espírito Santo", ao sul do anterior; 3- "São Paulo", o qual se estende por uma grande faixa do referido estado e sul do Rio de Janeiro.  

Nos Domínios do Cerrado e das Caatingas, caracterizados sobretudo por vegetações abertas- xerofítica no segundo-, há vários enclaves de floresta associados a elevações topográficas discretas e pontuais- normalmente no topo ou vertentes de chapadas indutoras de umidade orográfica. Vários casos de endemismo em animais e vegetais também são conhecidos nesses pontos.

O Domínio Amazônico, por sua vez, é um arquipélago com oito áreas de endemismo separadas pelos principais rios. Esses centros são:  Tapajós, Xingu  Belém, Rondônia, Napo, Imeri, Guiana e Inambari.

A Sistemática Biológica tem a contribuir com o projeto Biota de Orthoptera do Brasil no tocante ao conhecimento taxonômico de ensíferos e celíferos, à origem dos táxons endêmicos da América do Sul, sua diversidade e distribuição espacial. Este subprojeto transitará desde o nível da informação taxonômica mais básica até o da síntese do conhecimento biogeográfico-evolutivo, após passar por uma fase analítica que envolverá não apenas o tradicional estudo da morfologia corporal dos organismos, mas também utilizará fontes de informação menos tradicionais, mas de grande valor heurístico: a bioacústica e a citogenética. A ser desenvolvido em fina sintonia com o subprojeto "Filogenia e Identificação Molecular em Orthoptera"- sob a coordenação de uma especialista em métodos moleculares- pretende, com aquele, formar o maciço do projeto geral que trata dos aspectos evolutivos dos táxons.

O subprojeto visa a descrição e mapeamento da diversidade biológica das duas subordens de Orthoptera em importantes zonas de endemismo, ou áreas potencialmente promissoras para constatação de espécies localmente endêmicas. Os objetivos específicos do são:

 

- Realizar um inventário das faunas das duas subordens de Orthoptera em pontos de topografia, pluviosidade e/ou cobertura vegetal diferenciados dentro de vários biomas reconhecidos pelo IBGE para o Brasil;   

- Verificar a ocorrência de endemismos localizados e elaborar projetos de sistemática e biogeografia do endemismo;   

- Realizar estudos em bioacústica e montar um arquivo sonoro de espécies de Ensifera;      

- Realizar estudos cariotípicos como fonte de informação taxonômica e incorporar fotografias de cromossomos no banco de imagens;      

- Realizar estudos de morfologia comparada;             

- Avaliar estruturas pouco abordadas por taxonomistas visando sua utilização como fonte de informação taxonômica e filogenética (e.g., genitália feminina e valvas internas do ovipositor de ensíferos, dentículos esclerotizados do proventrículo, genitálias masculinas de Tettigonioidea e Stenopelmatoidea);  

- Publicar catálogos das espécies de Orthoptera para cada um dos pontos amostrados, de modo a divulgar à comunidade científica dados da diversidade biológica local;     

- Descrever táxons novos e elaborar chaves de identificação das categorias taxonômicas;    

- Montar coleções científicas bem organizadas;         

- Montar um banco de imagens de espécies, estruturas corporais úteis na identificação, cariótipos, oscilogramas e sonogramas;         

- Disponibilizar  dados taxonômicos, biogeográficos, amostras de sons e imagens para o catálogo “Orthoptera Species File”, mantido pela Orthopterists’ Society.         

 

As atividades de campo constarão de coletas ativas- diurnas e noturnas- e passivas, com a utilização de armadilhas de solo (pitfalls) e luminosas, além de fotografação de espécimes, gravações das estridulações e fixação de material para análise cromossômica.

Os espécimes coletados serão depositados na coleção de Orthoptera do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP)- Campus de Botucatu. Holótipos, alótipos e parte dos parátipos serão depositados na coleção de insetos do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. 

 

 

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